quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Quatro posturas para abrir seus caminhos energéticos

São quatro as posturas internas que abrem os caminhos energéticos:
 
A GRATIDÃO – é a demonstração clara que você está aceitando o momento e entende que algo vai acontecer em seu favor. É o estado de completa abertura para que as coisas fluam no tempo que necessitam. Quem é grato, perdoa, entende, supera.
 
A PACIÊNCIA – é o sentimento de quem consegue desenvolver ocupação útil, enquanto não ocorrem os fatos esperados.
Quem é paciente sustenta a sua vitalidade, não perde energia criando obstáculos aos seus próprios objetivos.
 
A FÉ – é a profunda emoção da alma que mantem sempre o foco nos objetivos planejados com otimismo e a certeza do melhor.
Quem cultiva fé gera condições mentais criativas e solucionadoras.
 
TER OBJETIVO – saber onde quer chegar, ter meta para os contextos da vida e para as condições emocionais de sua vida. Sem objetivo, sua gratidão, sua paciência e sua fé não são capazes de construir um fluxo energético para se expressarem.
Quando você tem objetivo, tudo acontece se souber gerenciar as três condições emocionais que mais abrem os caminhos humanos: gratidão, paciência e fé.
Fica fácil também entender quais são os 4 obstáculos mais comuns que fecham os caminhos energéticos. Basta fazer um contraponto.
Mágoa, ao contrário da gratidão.
Ansiedade, resultado de quem não é paciente.
Descrença, o fruto da falta do cultivo da fé.
Ausência de objetivo, é quando não se tem um plano para alcançar.

Wanderley Oliveira

terça-feira, 2 de agosto de 2016

“O amor é mais falado do que vivido e por isso vivemos um tempo de secreta angústia ”

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman declara que vivemos em um tempo que escorre pelas mãos, um tempo líquido em que nada é para persistir. Não há nada tão intenso que consiga permanecer e se tornar verdadeiramente necessário. Tudo é transitório. Não há a observação pausada daquilo que experimentamos, é preciso fotografar, filmar, comentar, curtir, mostrar, comprar e comparar.
 
O desejo habita a ansiedade e se perde no consumismo imediato. A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo.
 
Em tempos de Facebook e Twitter não há desagrados, se não gosto de uma declaração ou um pensamento, deleto, desconecto, bloqueio. Perde-se a profundidade das relações; perde-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar. Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato algum. Analisamos o outro por suas fotos e frases de efeito. Não existe a troca vivida.
 
Ao mesmo tempo em que experimentamos um isolamento protetor, vivenciamos uma absoluta exposição. Não há o privado, tudo é desvendado: o que se come, o que se compra; o que nos atormenta e o que nos alegra.
 
O amor é mais falado do que vivido. Vivemos um tempo de secreta angústia. Filosoficamente a angústia é o sentimento do nada. O corpo se inquieta e a alma sufoca. Há uma vertigem permeando as relações, tudo se torna vacilante, tudo pode ser deletado: o amor e os amigos.
 
“Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo”. Zygmunt Bauman
Texto de Luciana Chardelli

“A corrupção leva ao sofrimento uma sociedade inteira”, diz Cármen Lúcia



Em entrevista a Roberto D’Ávila, a jurista, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal e ex-presidente do TSE fala sobre a crise política no país.

 
 
A ministra Cármen Lúcia está há 10 anos no Supremo Tribunal Federal e deverá ser a próxima presidente do STF. Como boa mineira, é ponderada, firme nas suas convicções, e tem um olhar como juíza, sempre direcionado para uma sociedade moderna e mais justa. Em entrevista a Roberto D’Avila para a GloboNews, Cármen Lúcia falou sobre o respeito à Constituição, o processo de impeachment contra a presidente Dilma, o significado de golpe, a divulgação de conversas telefônicas grampeadas na Operação Lava-Jato, delação premiada, a “enorme responsabilidade” de um juiz, e lembrou de momentos difíceis em julgamentos no Supremo.
 
Defensora da liberdade de imprensa e de expressão, Cármen Lúcia ficou famosa ao proferir a frase “cala a boca já morreu”, ao votar pela impossibilidade de biografias serem previamente censuradas por qualquer indivíduo ou autoridade, em junho do ano passado:
“Tenho muita consciência de que não existe democracia sem a liberdade de expressão e de uma imprensa livre. Exageros devem ser contidos e existem em outras profissões”.
Defendeu a ministra, que cursou a faculdade em tempos de ditadura. Sobre a crise política, a jurista disse que “pode ser tudo no Brasil atualmente, mas não há um caminho agora muito claro”:
“O que nós temos efetivamente é um processo crítico, cujos resultados e opções não estão claros ainda”.
Cármen Lúcia destacou que os juízes têm suas visões de mundo, mas não têm liberdade para dizer o que querem e o que pensam:
“A toga(o manto) não é minha, a toga é do Brasil. O Supremo não se acovarda por uma razão simples. Cumpre o papel e o resultado está à mostra do povo. Tenho repetido sempre que o juiz deixa em casa, e tem que deixar ,toda a paixão no congelador, mas tem que levar muita compaixão para os julgamentos”.
A ministra defendeu o respeito à Constituição e destacou que:
“a corrupção leva ao sofrimento uma sociedade inteira, porque as pessoas se sentem agredidas, indignadas por esta circunstância”.

“Você está fazendo o teu possível ou o teu melhor?” – Mario Sergio Cortella

 
 
“Não é o melhor do mundo. É o teu melhor na condição que você tem enquanto não tem condições melhores para fazer melhor ainda. Pergunto de novo, mas não responda ainda, você está fazendo o teu possível ou o teu melhor? Porque se você ou eu podendo fazer o meu melhor, me contento com o possível, eu caio num lugar perigoso chamado ‘mediocridade’. Uma pessoa medíocre é aquela que é morna. Que está na média. Que não é quente e nem fria.
Lembra quando você chegava da escola com o boletim escrito: 6,0 em português, 5,5 em matemática, 4,0 em história… e você dizia: ‘deu pra passar’. Medíocre – ’Deixa, eu toco a minha vida’ – Isso é mediocridade. Porque uma pessoa medíocre é aquela que podendo fazer o seu melhor se contenta em fazer só possível.
 
Mediocridade é falta de capricho. Capricho é você fazer o teu melhor na condição que você tem. Exemplo: minha mãe e eu moramos na mesma rua em São Paulo e às vezes eu passo na casa dela por volta de cinco da tarde e ela me olha e pergunta: ‘você ainda não almoçou, né?’ – e completa – espera aí que eu vou fazer um negocinho pra você. Ela poderia fazer qualquer coisa, mas faz um talharim, com azeite. Depois corta um tomate cereja e coloca por cima. Isso é capricho.
 
Eu no Paraná, quantas vezes, caipira, ia até a roça visitar alguém que morava numa casa de pau-a-pique e via o chão de terra todo varrido – capricho: fazer o melhor na condição que tem enquanto não tem condição de fazer melhor ainda para não ser medíocre. Na roça eu pedia para tomar um gole d’água e a mulher pegava uma carequinha de alumínio toda amassada, mas muito bem areada – passava areia em volta. ‘Ah, mas já é pobre mesmo’ – Êpa – É pobre, mas é limpinho. Tem gente que é pobre e limpinho não é. Isso é medíocre.
 
Tem gente que é medíocre e sua obra é medíocre: ‘ah, mas do jeito que me pagam; mas eu não tenho condição…’. Há pessoas que em nome da condição, degradam a ação. Ao invés de ter um trabalho que é concomitante, luta para melhorar as condições e vai fazendo o seu melhor com aquelas que tem”. Mario Sergio Cortella
Este Salmo é um dos mais destacados capítulos da Bíblia. Muitos o conhecem de cor. Mas precisa ser interpretado do ponto de vista espiritual, para se atingir seu verdadeiro significado. Encare-o como uma das mais belas e envolventes preces da Bíblia. Pessoas em todo o mundo o encaram como a grande prece para proteção. Meditemos neste Salmo em detalhes, detendo-nos no significado profundo de cada versículo.
 
Versículo 1: “O que habita no esconderijo do altíssimo repousará à sombra do onipotente”
 
O lugar secreto é sua própria mente, onde você caminha e fala com a Presença e Poder Infinitos dentro de si. É seu Eu Superior o Espírito Vivo, ou Deus, dentro de você. É chamado de lugar secreto porque ninguém sabe o que você está pensando ou em que medita. Refugie-se com frequência no pensamento e contemple a Presença de Deus dentro de você. Fazendo isto várias vezes ao dia, diz-se que você habita no lugar secreto. Repousar à sombra do Onipotente significa viver sob a ofuscante Presença de Deus e ser por ElE protegido. A palavra sombra é uma expressão oriental que indica segurança.
 
A palavra Onipotente significa que esta Presença que existe dentro de você é Toda-Poderosa. Nada a Ela se opõe nem a desafia, e quando você se une a Deus, dá-se conta de que para Deus tudo é possível. Todas as bênçãos da vida se destinam àqueles que têm por hábito alinhar-se com o Infinito, pedindo paz, harmonia, diretrizes e toda sua fidelidade, lealdade e devoção ao Deus Vivo que existe dentro de você, e todas as maravilhas acontecerão em sua vida.

Versículo 2: “Direi sobre o Senhor: ele é meu refúgio e minha fortaleza; é meu Deus, nele confiarei”

O Senhor significa EU SOU, ou a Presença de Deus dentro de você. Quando era criança, você confiava em sua mãe, olhando dentro de seus olhos, lá havia amor. Deposite sua confiança no oceano infinito de amor, que é Deus, dentro de você. É o seu Eu Superior, puro Espírito. Ao afirmar a verdade deste segundo versículo, o escudo invisível de Deus o envolve, tornando-o impermeável a qualquer mal. Confie no Infinito, sem se preocupar com as aparências, e encontrará o caminho, a saída. Afirme com confiança: “Deus se preocupa comigo, Ele conhece e me revela a resposta.” Você deve, então, depositar sua confiança no amor de Deus, em vez do perigo ou dificuldade iminente.

Versículo 3 e 4: “Certamente ele o livrará da armadilha do caçador de pássaros, e da peste perniciosa. Ele o cobrirá com suas penas, e sob suas asas estará seguro, pois sua verdade será escudo e defesa”

 
LEANDRO KARNAL
 
 
Nem todo preconceito gera uma discriminação. Mas toda discriminação parte de um preconceito. É necessário que estudemos os nossos preconceitos a fim de que eles não se transformem em discriminação. Pois, tudo o que o inferno significa está contido na palavra “discriminação” porque dela flui: a xenofobia, homofobia e todas as outras palavras usadas para conceituar o comportamento do indivíduo que não aceita as diferenças. Não aceita ao ponto de odiar aqueles a quem ele julga “diferentes”.
 
A discriminação quando não autocriticada pode desencadear fobias. Segundo o pesquisador Paul Errara, a palavra fobia é derivada da palavra grega para terror ou estrangulamento. Phobos era um deus grego que causava pânico e medo entre os inimigos daqueles que o adoravam.
Nos últimos dias assistimos a notícia de um massacre numa boate gay em Orlando. O atirador homofóbico matou 50 pessoas e 53 ficaram feridas. Se ainda não sabemos lidar com as diferenças integrais, como saberemos lidar a ‘polissexualidade’?
 
O professor Leandro Karnal faz uma relevante proposta de reflexão acerca deste assunto. Fizemos a transcrição de um trecho de sua palestra: Tolerância ativa
 
“Existe uma proposta de um professor chamado Francis Wolff, num livro chamado Civilização e Barbárie, em que ele faz a seguinte pergunta: “Quem é o bárbaro atual?”. O livro organizado pelo professor Adauto Novaes, chama-se Civilização e Barbárie, e um dos primeiro artigos pergunta “Quem é o bárbaro?”. A tendência grega tradicional era dizer “Quem é bárbaro é quem não fala grego, quem está fora da minha cultura. O latino: É bárbaro quem está fora da cultura romana”. Pro chinês é bárbaro todo mundo que não seja chinês. Bem, o bárbaro era visto como não civilizado. A proposta deste texto é pensar que a barbárie floresceu, por exemplo, no exemplo citado do nazismo, no país mais culto da Europa que era a Alemanha. No país que lia Kant em alemão. Tenta imaginar o que é isso: Ler Kant em alemão. O país que lia Kant em alemão, produzido Bach e Beethoven. Bom, o país que produziu tanta cultura formal incendiou uma das crenças mais bárbaras do século 20 e um modelo de barbárie. O que proponho de novo neste texto?

É bárbaro todo aquele que propõe, na sua teoria, a exclusão do outro. É civilizado, seja um índio ianomâmi, ou um alemão, todo aquele que propõe a aceitação da existência do outro. Então ele foge ao termo Civilização e Barbárie tradicional, oferece uma saída para esse caminho e vai nos dizer exatamente isso. Acho que o fundamentalista que prega a eliminação do outro deve ser tratado como racista, ou seja, como uma patologia ‘educar’ e, segundo caso: não sendo possível a educação, deve ser encarcerado. Por quê? Porque não é possível conviver com pessoas que quer lhe excluir da humanidade. Não é possível.

A não aceitação das diferenças é problema tanto patológico como baixa inteligência e falta de caráter. Ou uma combinação das três coisas. O fundamentalismo não precisa ser ‘falta de caráter’. Eu ainda acho que se pode educar para a Tolerância Ativa, princípio que eu defendi quando elaborei os cinco volumes para o ensino religioso em São Paulo, que é o ensino leigo, não baseado em religião. Nós propusemos nesses volumes o chamado ‘tolerância ativa’. O que é tolerância ativa? Não é que eu tolero que você seja presbiteriano eu, católico? Não é que eu tolero. Eu acho fundamental que exista essa diversidade. E não existiria mundo e o mundo seria um lugar terrível se você não fosse presbiteriano e eu católico. Isso é tolerância ativa. Não é que eu diga assim: “Até que eu tolero um gay, desde que não chegue perto”. É fundamental que existam gays. É fundamental pessoas de diversas etnias, é fundamental que existam diversas opiniões, inclusive contrárias à minha.
Essas divergências tornam o mundo um lugar horrível. Quem aceita isso é civilizado. Quem não aceita isso é bárbaro. Pode falar dez línguas, continuará sendo um bárbaro. Ou seja, eu compartilho dessa ideia de que o fundamentalista é violento, tal como o racista, tal como o pedófilo. Tenho que ser reeducado, talvez com uma educação formal, eletrochoque, prisão, alguma coisa que funcione e, não funcionando, ele ter de ser isolado da sociedade. Ou talvez se pudesse escolher uma ilha para onde mandassem todos esses tipos de pessoas que querem excluir os outros. Só os violentos. Porque se não for a violência, se apenas disser: na minha concepção você vai para o inferno, isso não me afeta. Isso não me afeta… isso é apenas um problema de debate. Na verdade, o limite da liberdade é o limite de eu poder me expressar e a questão da dignidade do corpo, em particular.
 
Agora, se alguém acha que eu vou pro inferno por algum motivo, eu também reconheço o direto dessa pessoa também me mandar pro inferno. Como se atribui a Voltaire, mas também não é dele, curiosamente, “Eu não concordo com uma palavra do que me dizes, mas defenderei à morte o direito de dizeres”. Não é dele, mas é uma frase que ilustra bem o pensamento de Voltaire: tolerância. É fácil ser tolerante com a ideia parecida com a minha. O difícil é ser tolerante com a ideia oposta à minha. É o choque entre pólos que não conseguem entender que o outro possa estar correto. E aí as próprias religiões dão a solução: o primeiro princípio é uma regra áurea, comum a quase todas as religiões, não fazer ao outro o que não quer que seja feito a si. Essa regra áurea que Norman Rockwell, que fez um pôster que está na ONU, é a norma básica: colocar-se no lugar do outro e, segundo os budistas e cristãos, é compaixão. O que significa isso? Compassione em latim: eu sinto junto. E sentindo junto eu penso o que perturba o outro. Esse é um exercício fascinante. A compaixão a todo o momento.
 
Porque como lembrou Sartre, e de alguma o Papa Paulo XVI, que era uma pessoa hamletiana, melancólica, né? Como lembrou Sartre: “o inferno são os outros” e, nós somos o inferno dos outros. Só quem vive feliz é Robinson Crusoé até que Sexta Feira chegue à sua ilha. Viver em sociedade é uma negociação permanente e essa negociação é dura. É árdua em vários sentidos”. Leandro Karnal