segunda-feira, 27 de março de 2017

Quando alguém nos insulta, normalmente debruçamos sobre isso, perguntando a nós mesmos:'Por que ele disse isso para mim?' E assim por diante. É como se alguém atira uma flecha em nós, sem chegar a nos atingir. Se fixar no problema é como pegar a flecha e repetidamente se perfurar. 'Ele me machucou muito. Eu não acredito que ele fez isso'. Em vez disso, podemos usar o método de contemplação para pensar sobre as coisas de forma diferente, para mudar nosso hábito de reagir com raiva. Imagine que alguém o insulta. Diga a si mesmo: 'Essa pessoa me deixa com raiva . Mas o que é essa raiva?' É um dos venenos da mente que cria karma negativo, levando a intenso sofrimento. Combater a raiva com raiva é como seguir um lunático que salta de um penhasco. Eu tenho que fazer isso mesmo? Embora ele seja louco por agir dessa maneira, é ainda mais louco fazermos o mesmo."
Chagdud Tulku Rinpoche
"São necessários dois anos para aprender a falar e sessenta para aprender a calar" ( Ernest Hemingway). Maravilhoso raciocínio!

 
"It takes two years to learn to speak and sixty to learn to shut up" (Ernest Hemingway). Wonderful reasoning!

sexta-feira, 10 de março de 2017

Qual é o significado da tristeza e como lidar com ela?
Entrevista a Cida Oliveira


Na tristeza ficamos tristes.
Quando perdemos alguém.
Quando perdemos.
Quando as coisas não são como queríamos que fossem.
Quando as pessoas não são como queríamos que fossem.
Quando o mundo e a realidade não são o que queríamos que fossem.
Quando não somos o que gostaríamos de ser.
Quando não temos o que gostaríamos de ter.
Porém,se nos lembrarmos que as coisas são como são
que as pessoas são como são
que nós, o mundo e a realidade são o que são
e que podemos apreciar o que temos invés de lamentar o que não temos,
começamos a entrar no mundo da não dualidade.
Se houver sabedoria e compaixão perceberemos que a tristeza, mesmo profunda, é passageira.
Perceberemos que se as coisas, as pessoas, o mundo, a realidade e nós mesmos estamos num processo contínuo de transformação.
Então poderemos pensar em nos tornarmos essa transformação que queremos no mundo.
Para que haja menos tristeza, mais alegria, mais compartilhamento e harmonia.
O contentamento com a existência é um dos ensinamentos principais de Buda:
“a pessoa que conhece o contentamento é feliz, mesmo dormindo no chão duro; a pessoa que não conhece o contentamento é infeliz mesmo num palácio celestial.”
Então, quando sentimos tristeza, observamos a tristeza.

Como está nossa respiração? Como estão os batimentos cardíacos? Como está a nossa postura?
Que pensamentos são esses que me fazem deixar os ombros cair para frente, baixar a cabeça e, quem sabe, chorar?
Como se formam as lágrimas?
E, mesmo em meio a lágrimas, podemos sorrir e perceber que enquanto vivas criaturas temos esta experiência extraordinária e bela de poder ficar triste.
Tristeza que vem.
Tristeza que vai.
E sem se apegar a coisa alguma e sem sentir aversão a coisa alguma descobrimos o verdadeiro sentido da vida.
É assim que trabalhamos a tristeza.
Zazen – sentar-se em zen e observar a si mesma.
Postura correta, alongamento da coluna vertebral, abrir o diafragma e respirar profundamente. Inspiração mais curta, expiração mais longa. Saboreando o ar. Ombros alinhados e retos, postura de Buda.

Ensinamentos de sabedoria nos auxiliam a sair da toca, do casulo de separatividade que falsamente criamos e de nos lembrarmos que sempre há pessoas e situações piores do que a nossa, sempre há pessoas e situações melhores do que a nossa e nunca, nunca, perder a dignidade.
Tristeza boa é da saudade de alguém que logo poderemos rever.
Tristeza ruim é aquela que náo queremos deixar passar. Aquela na qual nos agarramos, pois nos dá uma identidade, nos torna especiais. Especialmente tristes. Comoventes, Vítimas a serem apiedadas e cuidadas. Ah! Quanta carência.
Abandonar a tristeza é abrir as mãos, o coração, a mente para a emoção seguinte.
É lavar o rosto, olhar para a imensidão do céu, da Terra, do mar e perceber a pequenês da nossa vida.
Sem culpa e sem culpar ninguém.

Sinta a tristeza, reconheça, respire a tristeza e a deixe passar.
Mãos em prece
Monja Coen

quinta-feira, 9 de março de 2017

AS VITAMINAS DEPOIS DOS 40
 
As vitaminas e os nutrientes são como um exército que combate doenças diariamente.
Após os 40 anos, é preciso investir ainda mais numa dieta saudável para se proteger contra problemas de saúde que surgem com o passar da idade.
O que acontece é que o corpo de quem tem 40 anos não funciona do mesmo jeito de quando se tinha 20.
A massa muscular começa a diminuir, o metabolismo fica mais lento, aumenta-se o risco de doenças crônicas, como câncer, problemas no coração e diabetes.
Por isso é muito importante consumir as vitaminas e nutrientes certos.
Veja a lista que trouxemos para você:
 
1. Vitamina B12
Ela é essencial a partir dos 40 anos, pois melhora a saúde do sangue e do cérebro.
Podemos absorver a vitamina consumindo carne e alimentos de origem animal, peixe, ovo, frango, leite...
Infelizmente, com o passar da idade, essa vitamina é mal absorvida pelo corpo depois dos 40, porque o ácido do estômago começa a parar de funcionar.
Sendo assim, aconselhamos o consumo de 2,4 mg por dia.
 
2. Cálcio
Ele tem um grande papel na prevenção de fraturas, tanto para homens quanto para mulheres, é o que provaram os 59 estudos realizados.
Infelizmente, outros estudos também provaram que suplementos de cálcio aumentam o risco de ataque cardíaco, acidente vascular cerebral e morte cardíaca para mulheres pós-menopáusicas.
No entanto, o nutriente é necessário para outras funções básicas do corpo, como o funcionamento do nervo, do coração, contração muscular e manutenção da saúde óssea.
Portanto, se você não recebe a quantidade necessária de cálcio, então seu corpo enfraquecerá.
Alimentos ricos em cálcio são gergelim, tofu, sardinha, amêndoas, brócolis e espinafre.
 
3. Vitamina D
É muito importante para a proteção contra doenças depois dos 40 anos.
Deficiências de vitamina D têm sido associadas a diabetes, doenças cardíacas, esclerose múltipla e câncer de mama.
Uma vantagem da vitamina D é que ela é essencial para a absorção de cálcio no corpo.
Invista, por tanto, no consumo de peixe e lacticínios fortificados, grãos e cereais.
Geralmente, a vitamina D que recebemos dos alimentos é mal absorvida, por isso a exposição ao sol seria a fonte ideal.
No entanto, nem todo mundo mora em cidades perto o suficiente do Equador.
Se for o seu caso, invista no suplemento D3, que é a vitamina mais próxima que você poderia obter da emita pelo sol.
Você deve estar receber pelo menos 600 UI por dia (e 800 UI por dia após 50), de acordo com as recomendações da National Institutes of Health.
O limite é de até 4.000 UI por dia.
 
4. Magnésio
Ajuda a regular a pressão arterial, que é indispensável para quem tem mais de 40 anos.
Deficiências em magnésio têm sido associadas a doenças cardíacas, diabetes e inflamação.
O magnésio ajuda o corpo a absorver o cálcio e desempenha um papel significativo no músculo, nervo e função cardíaca, e também controla a glicose no sangue.
Se você já tem uma dieta saudável e equilibrada, é provável que você obtenha todo o magnésio que você precisa (320 mg por dia para quem tem 40 anos ou mais).
Esse nutriente é encontrado em folhas verdes escuras, feijão, soja , nozes, sementes e abacates.
O excesso de magnésio não representa necessariamente riscos para a saúde, mas pode causar diarréia, náuseas ou cólicas.

5. Potássio
Ele desempenha um papel fundamental na manutenção da pressão arterial, independente da idade.
Em mulheres na pós-menopausa, a pesquisa relacionou a maior ingestão de potássio dos alimentos com a diminuição do risco de acidente vascular cerebral - embora a ingestão "alta" fosse considerada aproximadamente 3,1 g, o que ainda é inferior aos 4,7 g recomendados por dia.
No entanto, excesso de potássio pode danificar o trato gastrointestinal e o coração e pode causar arritmias cardíacas potencialmente fatais.
A maioria das pessoas pode obter o potássio que necessitam comendo uma dieta variada e saudável que inclui bananas, batata doce, acelga, feijão e lentilhas.
Se o seu médico prescrever suplementos, ela deve monitorar cuidadosamente.

6. Ômega-3
Tecnicamente não uma vitamina, mas os ácidos graxos ômega-3 merecem um lugar nesta lista.
Com o passar do tempo e a carência desse nutriente, há o aumento do risco de doença cardíaca e declínio do cognitivo.
Pesquisas mostraram que o omega-3 ajuda a baixar a pressão arterial e os níveis de colesterol LDL ("ruim"), reduzem o risco de doenças cardíacas e desempenham um papel na manutenção da memória e do pensamento afiado.
De fato, um estudo recente descobriu que pessoas com níveis mais altos de ácidos graxos ômega-3 no sangue tinham cérebros mais saudáveis e tinham melhor desempenho em testes de memória, atividades de planejamento e pensamento abstrato, em comparação com indivíduos com níveis mais baixos - o que sugere que o ômega- 3 desempenha um papel na manutenção da saúde do cérebro.
Embora você possa obter omega-3 de alimentos como peixe, nozes e vegetais de folhas, tomar um suplemento é uma boa maneira de se certificar de que você está recebendo o suficiente.
500 mg é o suficiente se você estiver saudável.
800 a 1.000 mg, se você tem doença cardíaca.
E 2.000 a 4.000 mg se você tiver níveis elevados de triglicérides.
Não deixe de perguntar ao seu médico sobre a dose certa, especialmente se você estiver tomando anticoagulantes.

7. Probióticos
Não são tecnicamente vitaminas ou minerais, mas eles são essenciais para as mulheres de 40 anos ou mais.
Evidências crescentes sugerem que os probióticos desempenham um papel na manutenção do intestino saudável e na diminuição do risco de doenças cardíacas, diabetes e acidente vascular cerebral - tudo o que é especialmente importante para quem tem mais de 40.
Embora você possa obter probióticos em alguns produtos lácteos e fermentados de soja, os alimentos normalmente não contêm tantas cepas como um suplemento.
Além disso, como os probióticos são realmente vivos e ativos, perdemos os nutrientes se forem cozidos ou fritos.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Veículo: DIÁRIO OFICIAL - PE

Editoria: Poder Executivo

Data: 22/02/2017


Dados do Governo de Pernambuco ainda mais transparentes

 
As páginas da lei de Acesso à Informação, que permitem ao cidadão se informar sobre aos dados públicos, são periodicamente avaliadas pela Secretaria da Controladoria-Geral do Estado (SCGE). Com isso, é possível garantir a transparência e, consequentemente, o fomento ao controle social e o combate à corrupção. Em 2016, órgãos e entidades do Poder Executivo de Pernambuco registraram um crescimento de mais de 100%, no comparativo com o ano anterior, no grau de transparência ativa, que é a divulgação de informações por iniciativa própria.
Em Pernambuco, são 67 órgãos e entidades públicas estaduais com páginas da LAI. Obtiveram a pontuação máxima no cumprimento das exigências legais, a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), a Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), a Secretaria das Cidades (Secid), a Secretaria da Casa Militar (Camil), a Polícia Militar de Pernambuco (PMPE), a Junta Comercial do Estado de Pernambuco (Jucepe), o Corpo de Bombeiro Militar de Pernambuco (CBMPE), a Companhia Pernambucana de Gás (Copergás), a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Trabalho e Qualificação (Sempetq), a Secretaria de Transporte (Setra), a Agência de Fomento de Pernambuco (Agefepe), a Secretaria de Imprensa (Sei), a Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase), a Pernambuco Participações e Investimentos (Perpart), a Secretaria da Mulher (SecMulher), a Secretaria de Habitação, além da própria SCGE.
Ainda é importante ressaltar que 96% dos órgãos e entidades apresentaram melhoria significativa na transparência ativa, quando comparados com 2015. “A Lei de Acesso à Informação determina que sejam divulgadas informações de interesse da sociedade, garantindo, assim, o exercício do controle social pelo cidadão. Esses dados mostram uma mudança cultural de gestão e o compromisso do Governo do Estado com a transparência. Um governo transparente é capaz de exercer um maior combate à corrupção”, destacou o secretário da Controladoria-Geral, Ruy Bezerra.
De acordo com critérios definidos pela lei, é realizada a medição do grau de transparência de cada unidade, com base na publicação de um conjunto de informações mínimas, previstas no Decreto 38.787/12. A avaliação considera 16 seções disponíveis nas páginas da LAI, tais como estrutura organizacional, ações e programas, convênios, execução orçamentária e financeira, servidores, licitações, entre outras.
O resultado completo da avaliação está disponível no Portal da Transparência (www.portaldatransparencia.pe.gov.br), banner Lei de Acesso à Informação/Avaliação das Páginas de Acesso à Informação.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Elogiar por elogiar deseduca – Conselho de Mário Sérgio Cortella


O que é uma pessoa honrada? Aquela que, entre outras coisas, tem a percepção da piedade, aquilo que precisa ser resguardado na convivência. Uma pessoa autêntica tem a autenticidade grudada à piedade. Eu não posso, em nome da minha autenticidade, dizer tudo o que penso. Eu não posso, em nome da minha autenticidade, desqualificar apenas porque quero ser transparente. Ser autêntico não significa ser transparente de maneiro contínua.
 
Ser transparente para si mesmo? Sem dúvida, mas dizer tudo o que pensa numa convivência é ofensivo. O exemplo do menino de 5,6 anos de idade que traz o presente clássico do Dia dos Pais feito pelas próprias mãos. Chega da escola com aquelas coisas “horrorosas”, feitas com casca de ovo, palito de sorvete, que chegam a cheirar mal. “Pai, tá bonito?” É óbvio que o pai dirá que está maravilhoso naquela circunstância. A ideia do elogio ou do não elogio tem de ser circunstancializada.
Uma pessoa autêntica não aquela que é o tempo todo transparente. Se ela não tiver percepção de circunstância, ela se torna inconveniente. “Mas é assim que eu penso”. O fato de pensar assim não exime a pessoa de ser moderada. Isso não a leva a perder a autenticidade, apenas a resguardar a expressão de modo como é. Porque, como eu sou com os outros, tenho de ser de fato o que sou, mas não posso desconsiderar que outros existem. É preciso cautela, em nome da autenticidade, para não ser ofensivo. Nem descambar para o terreno da crueldade. Por exemplo, a criança chega com o presente e o pai diz: “Não está, não. Você devia ter feito uma coisa bonita”. Ora, na condição daquela criança, ela fez algo belíssimo. E é belo porque ela fez no melhor da sua condição.
 
Não é a mesma circunstância de um pai ou de uma mãe que percebem que a criança fez algo com desleixo. Nesse caso, não deve elogiar por elogiar, porque isso deseduca. Se um filho ou uma filha traz um desenho que pode ser precário, mas que, naquela circunstância, naquela idade, naquele modo, é o melhor que a criança poderia fazer, é preciso elogiar em alto estilo. É sinal de afeto imenso. Mas, se o desenho apresentado é resultado de um desleixo, não se deve elogiar. Eu posso dizer a clássica fase de que educa: “Você é capaz de fazer melhor do que isso que está me mostrando”. Isso é educação. O que é crueldade? Dizer: “Isso é péssimo”. Quem educa precisa corrigir sem ofender, orientar sem humilhar. Precisa conviver com essa virtude, que é a piedade.
 
Trecho do Livro: Educação, Convivência e Ética: Audácia e Esperança -De Mário Sérgio Cortella. Páginas 67/69. Cortez Editora, São Paulo- SP.

O que queremos dizer quando falamos de felicidade?

Seres humanos são capazes de aumentar o sofrimento, mas também podem potencializar o bem-estar


Do que falam esses finais de contos infantis, quando dizem que heróis e heroínas viveram felizes para sempre? Como esses personagens teriam vivido? E, principalmente, como conseguiram o bem-estar em suas vidas de conto de fadas? Os seres humanos são os únicos animais capazes de aumentar o próprio sofrimento, por exemplo, através de pensamentos distorcidos. Mas, também, temos a capacidade de potencializar nosso bem-estar. Sabemos que se sentir bem tem um impacto positivo sobre as pessoas, porque atua como um protetor no organismo. Quando se sentem bem, as pessoas ficam menos doentes, vivem mais e têm uma melhor qualidade de vida.

A ciência se encarrega de estudar os processos que envolvem a felicidade, para então poder estabelecer definições justas e precisas. Atualmente, a pesquisa se concentra em descrever estados relacionados a esse sentimento, como o prazer e também o chamado "bem-estar". Vamos ver do que se trata.
 
Diferentes correntes filosóficas identificaram duas formas de conseguir o bem-estar: uma é pela via hedônica, que consiste em desfrutar de tudo o que envolve um prazer imediato (uma refeição, uma paisagem, um encontro entre amigos, etc.); e a outra é a via eudaimônica. Essa última reside na satisfação a longo prazo, gerada como resultado das conquistas obtidas, de conseguir os frutos que surgem a partir do esforço, do trabalho e do planejamento. Conseguir sucesso na carreira, um diploma ou superar um mau hábito são alguns exemplos. Atualmente, além da ciência estabelecer essa divisão, a chamada psicologia positiva a especifica através de três vias: a da vida prazerosa; a da vida com compromisso; e a da vida com significado.
Se nos propomos a melhorar nossas vidas, é necessário esquecer algumas ideias falsas que são contraproducentes para alcançar nosso bem-estar.
 

Para estudar o ser humano em toda a sua complexidade, é necessário uma disciplina que não só resolva seus problemas, mas também ajude a construir qualidades positivas, que permitam destacar os pontos fortes das pessoas. Se queremos melhorar nossas vidas, devemos rejeitar algumas ideias falsas que são contraproducentes ao bem-estar. Uma delas consiste em pensar que podemos encontrá-lo de repente. Pelo contrário, o bem-estar é construído e, geralmente, essa construção exige grande esforço. Outra ideia comumente afirmada é que o bem-estar é algo que se tem ou não se tem, sem meio termo; mas, na verdade, podemos considerar que existe um continuum entre o mal-estar e o bem-estar que sentimos ao longo do dia e, mais ainda, durante a vida. Por último, nós erroneamente tentamos modificar as circunstâncias da vida (dinheiro, vida amorosa, etc.) acreditando que isso trará consigo um bem-estar definitivo. Precisamos saber que, produto da adaptação hedônica (nossa capacidade em assimilar grandes transformações na vida), essas mudanças “externas” não produzirão bem-estar duradouro.

 

Como aumentar o bem-estar

Existem numerosas atividades que podemos realizar para aumentar o bem-estar e a saúde emocional. Isso significa que podem ser treinadas, ou seja, podem ser desenvolvidas e isso depende em grande medida da vontade. Graças à neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de criar novas conexões neuronais e até mesmo gerar novos neurônios ligados à experiência, essas atividades também podem produzir mudanças estruturais e funcionais no cérebro.
 
O exercício físico é muito bom para a saúde, já que reduz a ansiedade, o estresse e o risco de se contrair doenças. Também tem um papel importante nas funções cognitivas como a consolidação de lembranças e a memória de longo prazo. O exercício físico, por sua vez, melhora o fluxo cerebral em estados de repouso, até mesmo a partir de períodos curtos de treinamento. Ainda assim produz bem-estar em curto e médio prazo, já que o exercício gera endorfinas, os hormônios que geram sensação de prazer e bem-estar, além de ter um efeito analgésico no organismo. As pessoas erroneamente tentam modificar as circunstâncias da vida acreditando que isso trará consigo um bem-estar definitivo.

Numerosas pesquisas comprovam que meditar regularmente modifica positivamente a estrutura e o funcionamento cerebral. Esses resultados também sugerem que a meditação cumpre um papel na plasticidade sináptica, ou seja, na capacidade dos neurônios de gerar um maior número de “conversas” entre eles. A meditação também se relaciona com níveis maiores de bem-estar e um menor número de doenças.
 
Ter e potencializar as emoções positivas é um recurso que também favorece o bem-estar. Nos últimos anos começamos a conhecer o papel fundamental das emoções positivas em nossa vida. Uma teoria muito aceita demonstra que não só nos fazem sentir bem como ampliam nosso repertório de recursos positivos e promovem a construção de novas estratégias para melhorar a qualidade de vida. De modo que quando realizamos uma ação que produz um resultado positivo, a emoção associada nos leva a querer repeti-la no futuro. Podemos dizer que a ciência está comprovando que a expressão “ver a vida em cor-de-rosa” não estaria tão longe da realidade. Um estudo provou que quando alguém sorri, o cérebro processa a informação proveniente de nossos rostos com uma expressão emocional neutra da mesma forma do que quando processa rostos alegres.
 
Manter relações sociais amistosas, afetivas e amorosas também é considerado fundamental pela ciência para conseguir o bem-estar. É sabido que a presença de seres queridos altera positivamente a resposta do cérebro a situações de ameaça. Foi demonstrado que as pessoas que atravessam uma situação estressante e recebem apoio verbal de pessoas queridas têm menores quantidades de cortisol no organismo, um hormônio relacionado ao processo ativado em momentos de estresse, do que aquelas que passam pela mesma situação, mas recebem apoio verbal de um estranho ou não recebem nenhuma forma de apoio.
O exercício gera endorfinas, os hormônios que geram sensação de prazer e bem-estar, além de ter um efeito analgésico no organismo.
 

Alguns dos pontos essenciais para se conseguir construir uma vida plena estão ligados à utilização de nossas próprias forças para conseguirmos a satisfação. As forças de caráter são traços positivos que todas as pessoas têm em maior ou menor medida. A bondade, a gratidão, o amor, a integridade, a curiosidade, a valentia e a generosidade são algumas delas. Ser generoso, por exemplo, produz uma sensação de bem-estar que ativa um circuito neuronal associado ao prazer e à recompensa, além de ativar diferentes “químicos” ligados à felicidade como a dopamina e a oxitocina. As pessoas generosas dizem ter mais amizades, dormir melhor e superar mais facilmente os obstáculos do que as pessoas mesquinhas. Mas vale a pena dizer que o essencial disso é que, além do favor particular, causam um bem-estar geral porque promovem benefícios a toda a sociedade. Assim, maximizar nossas potencialidades solidárias ajuda todos nós a ficarmos bem.
Como um círculo virtuoso, podemos reiterar que sentir-se bem contribui ao nosso bem-estar. Ainda que pareça algo evidente, na verdade sobeja na ideia de que a maneira em que pensamos é como nos sentimos. Uma possibilidade de escrever nossa própria história com final feliz.
 
Facundo Manes é neurologista e neurocientista (PhD em Ciências, Cambridge University). É presidente da World Federation of Neurology Research Group on Aphasia, Dementia and Cognitive Disorders e Professor de Neurologia e Neurociências Cognitivas na Universidade Favaloro (Argentina), University of California, San Francisco, University of South Carolina (USA), Macquarie University (Austrália).