terça-feira, 14 de abril de 2020




10 ALIMENTOS ALCALINOS E COMO ELES ATUAM


O corpo humano é um sistema complexo que mantém um rigoroso equilíbrio do pH. Quando você consome um alimento, ele se transforma em ácido ou alcalino após a digestão e metabolismo. Descubra 10 alimentos alcalinos e como eles atuam no organismo.
  
Por isso, o consumo de uma grande quantidade de alimentos formadores de ácidos pode fazer o organismo se tornar excessivamente ácido, resultando num número de complicações à saúde. Para garantir o equilíbrio do pH interno, é importante consumir alimentos saudáveis, ricos em alcalinidade.

Limão é um dos alimentos alcalinos

LIMÃO
Enquanto a maioria das pessoas pensa que o limão é uma fruta ácida, ele, de fato, produz uma alcalinidade após a digestão. Os limões têm um nível de pH 9,0, tornando-os sim um dos alimentos alcalinos. Eles são ricos em vitaminas, minerais, eletrólitos e antioxidantes que fornecem ao corpo força, resistência e saúde ao sistema imunológico. Adicione-o à água para criar uma bebida refrescante.

MELANCIA
A melancia é outro alimento alcalinizante com um pH de 9,0. Também é uma fonte de fibra, betacaroteno, licopeno e vitamina C. Ela tem um teor de água de 92 por cento do seu peso, tornando-se um diurético. Você pode achar a melancia especial para saciar a sede e refrescante durante uma limpeza do cólon ou desintoxicação.

Melancia também atua como diurético

Espinafre é um dos alimentos alcalinos

ESPINAFRE
O espinafre é um vegetal verde escuro que é cheio de fibras, vitaminas, minerais, fitoquímicos e antioxidantes. Conhecido por ser rico em vitamina K e ácido fólico, ele tem um pH de 9,0 e, consequentemente, é alcalinizante. Ele melhora a sua visão e os processos digestivos. Você pode comê-lo cru, como parte de uma salada ou cozido com uma refeição.

ASPARGOS
Com um nível de pH 8,5, o aspargo é benéfico na redução da acidez em seu corpo e contém um aminoácido importante, a asparagina, que é vital para o bom funcionamento do sistema nervoso. Este vegetal fica mais gostoso quando é cozido.

Aspargo também influencia o sistema nervoso

Manga e Mamão são alimentos alcalinos

MANGA E MAMÃO
A manga e o mamão são alimentos alcalinos, com pH relativo de 8,5. Ambas são frutas doces, tropicais, que podem ser consumidas frescas, congeladas ou secas. Contendo muita água, essas frutas contêm um efeito diurético que ajuda na limpeza de seu cólon e rins.

CAPSICUM
Capsicum é o nome dado a uma variedade de pimentas tropicais, incluindo a caiena e o pimentão. Essa família de pimentas tem um pH de 8,5, tornando-a altamente alcalina. Pimentas do gênero Capsicum são ricas em enzimas essenciais para o sistema endócrino. Conhecidas por suas propriedades antibacterianas, elas também são ricas em vitamina A, e, portanto, são benéficas na luta contra os radicais livres que causam o estresse e a doença.

Capsicum são ricas em elementos para o sistema endocrino

Uvas e Abacaxi são alimentos alcalinos

UVAS E ABACAXI
Com um pH de 8,5, essas frutas são ricas em antioxidantes e vitaminas A, B e C. As uvas ajudam a regular a circulação sanguínea e reduzir a pressão arterial, bem como o risco de doença cardiovascular. Já o abacaxi é uma fonte de fibras, antioxidantes e L-carnitina, que ajuda a manter um peso corporal saudável.

MAÇÃS
As maçãs têm um nível de pH 8,0 e são fontes de fibra, variedade de vitaminas, minerais e fitoquímicos que ajudam a proteger o corpo e a manter o sistema imune intacto. Elas também contêm enzimas que mantêm o equilíbrio hormonal natural do organismo. As maçãs são frutas muito versáteis que podem ser comidas cruas, ou incluídas na culinária e panificação.

Maçã também é uma boa fonte de fibras

Broto de Alfafa é um dos alimentos alcalinos

BROTOS DE ALFAFA
Os brotos são a parte visível de plantas em estágios iniciais de desenvolvimento, ricos em nutrientes. Versáteis, os de alfafa contêm saponinas, componentes que ajudam a diminuir o colesterol ruim e a gordura no corpo, em última instância, protegendo-o de doenças cardiovasculares. Os brotos de alfafa também contêm antioxidantes que impedem a destruição do DNA, protegendo seu corpo contra os efeitos do envelhecimento. Você pode adicioná-los em qualquer salada ou sanduíche.

ALHO
O alho é um alcalinizante alimentar com um pH de 8,0 que reage quimicamente aos alimentos ácidos com um valor de pH de 5,0, elevando sua acidez e ajudando a manter o equilíbrio do pH do corpo. Ele fornece muitos benefícios ao corpo, como redução da pressão arterial, promoção da saúde cardiovascular e imunológica, limpeza do fígado e combate às doenças.

Alho também ajuda a controlar a pressão arterial

Artigo traduzido por Essential Nutrition
Autor: Erica Wickham, M.S., R.D., C.D.N
Fontes:
http://www.livestrong.com/article/346918-top-10-alkaline-foods/

Lista Completa de Alimentos Alcalinos e Ácidos - MundoBoaForma.com.br

sábado, 11 de abril de 2020


DESEMPREGO NO MUNDO

Pelos cálculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o Brasil conta hoje com quase 12 milhões de desempregados. Cerca de 38 milhões de pessoas estão na informalidade.

Especialistas mais pessimistas afirmam que, a depender da duração da pandemia do novo coronavírus, o Brasil poderá contabilizar mais 8 milhões de desempregados, elevando o total a 20 milhões, um caos para a economia.


Essa projeção dramática leva em conta estimativas feitas por entidades ligadas ao comércio, que preveem demissão de até 5 milhões de pessoas no setor, devido ao fechamento de bares, restaurantes e hotéis, entre outros tipos de negócios.
Outros 3 milhões devem vir dos demais setores afetados pela crise, sendo parte da indústria, que costuma segurar muito as demissões pelo alto custo das dispensas e pelo risco de perder profissionais mais capacitados.

É um quadro assustador, pois explicita a fragilidade do país ante a chegada de um inimigo invisível, cujo potencial de estrago ninguém consegue medir com efetivo grau de segurança.

PIB cairá 10% no segundo trimestre

O certo, segundo economistas, é que o Brasil, como o resto do mundo, contratou uma brutal recessão. Há bancos prevendo que, somente entre abril e junho — período mais dramático da Covid-19, na visão do Ministério da Saúde —, o Produto Interno Bruto (PIB) cairá pelo menos 10%, tamanha a paralisia da atividade.

No pior momento do mercado de trabalho, entre 2016 e 2017, o Brasil chegou a contabilizar mais de 14 milhões de desempregados. À medida que o país foi saindo da recessão, esse contingente foi diminuindo, mas muito lentamente.

O problema é que, até a chegada do novo coronavírus, o PIB vinha crescendo por volta de 1% ao ano. É muito pouco para as necessidades do país, que vê as desigualdades sociais se acentuarem.

Depressão econômica

O tombo do PIB neste ano — pelas projeções da economista Monica de Bolle, professora da Johns Hopkins University, nos Estados Unidos, pode variar entre 5% e 6% — será um sinal claro de que o Brasil mergulhou na depressão econômica.

Desde 2014, o Brasil vem se debatendo para sair do atoleiro. Mergulhou numa severa recessão entre 2015 e 2016, voltou a crescer, mas muito pouco, entre 2017 e 2019, e, agora, está sendo atropelado pelo coronavírus.

Dependendo do tamanho da queda do PIB neste ano e do desemprego, a recuperação será muito lenta, comprometendo 2021 e 2022, pois uma das principais alavancas do PIB, o consumo das famílias, estará prejudicado.

Não por acaso, especialistas afirmam que o governo precisa ter foco. Se não correr contra o tempo, adotando medidas efetivas, sem politicagem, verá o pior quadro projetado para a economia se confirmar. Certamente, não é o que ninguém deseja em sã consciência.

"A crise econômica provocada pela pandemia de coronavírus pode levar mais de 500 milhões de pessoas para a pobreza, a menos que ações urgentes sejam tomadas para ajudar países em desenvolvimento. O alerta é da Oxfam, entidade da sociedade civil que atua em cerca de 90 países com campanhas, programas e ajuda humanitária.
A organização pede que os líderes mundiais aprovem um plano emergencial de resgate econômico para impedir que países e comunidades pobres afundem. Para a Oxfam, isso pode acontecer já na próxima semana, quando está prevista reunião entre ministros de Economia dos países do G20 (o grupo dos 20 países mais desenvolvidos), o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
De acordo com a entidade, os US$ 2,5 trilhões que as Nações Unidas estimam ser necessários para apoiar os países em desenvolvimento durante a crise do coronavírus vai requerer um adicional de US$ 500 bilhões em ajuda externa, incluindo o financiamento dos sistemas públicos de saúde dos países pobres. “Impostos emergenciais de solidariedade, como taxas sobre lucros excessivos e pessoas muito ricas, poderiam mobilizar recursos adicionais”, avalia a Oxfam, em nota.
Para a entidade, apesar de urgentes e necessárias, as medidas de distanciamento social e de restrição do funcionamento das cidades agravam a situação dos trabalhadores, com demissões, suspensão de pagamento de salários ou inviabilidade do trabalho informal.
O novo relatório da Oxfam, "Dignidade, não Indigência", mostra que entre 6% e 8% da população global, cerca de 500 milhões de pessoas, poderão entrar na pobreza conforme os governos fecham suas economias para impedir que o coronavírus se espalhe em seus países. “Isso pode representar um retrocesso de uma década na luta contra a pobreza. Em algumas regiões, como a África subsaariana, o norte da África e Oriente Médio, essa luta pode retroceder em até 30 anos. Mais da metade da população global poderão estar na pobreza depois da pandemia”, destacou a entidade.
O relatório, publicado ontem (9), utiliza estimativas elaboradas pelo Instituto Mundial para a Pesquisa de Desenvolvimento Econômico, da Universidade das Nações Unidas, liderada por pesquisadores do King's College de Londres e da Universidade Nacional da Austrália.
Para a Oxfam, as desigualdades já existentes evidenciam o impacto econômico da crise do coronavírus. “Como os trabalhadores mais pobres, tanto nas nações ricas quanto nas pobres, atuam mais no mercado informal, eles estão descobertos de diversas formas. Eles, por exemplo, não têm proteções trabalhistas e nem conseguem trabalhar de casa”, diz a entidade.
Globalmente, apenas um em cada cinco desempregados tem acesso a benefícios como seguro-desemprego. Dois bilhões de pessoas trabalham no setor informal pelo mundo - 90% nos países pobres e apenas 18% nos países ricos.

Situação no Brasil

No Brasil, para a Oxfam, a situação é ainda mais preocupante devido às moradias precárias, à falta de saneamento básico e de água e aos desafios no acesso a serviços essenciais para os mais pobres. O Brasil tem cerca de 40 milhões de trabalhadores sem carteira assinada e cerca de 12 milhões de desempregados. 
“O coronavírus coloca o Brasil diante de uma dura e cruel realidade, ao combinar os piores indicadores sociais em um mesmo local e na mesma hora. E é neste momento que o Estado tem papel fundamental para reduzir esse impacto e cumprir sua responsabilidade constitucional tanto na redução da pobreza e das desigualdades quanto na garantia à vida da população”, afirma Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil, em comunicado.
Para a entidade, a renda básica emergencial de R$ 600, por três meses, para trabalhadores informais não será suficiente para amenizar o impacto, e o governo deverá, entre outras medidas, ampliar o número de pessoas atendidas e estender o período de concessão.

Mulheres

De acordo com a Oxfam, as mulheres precisam de atenção especial, pois estão na linha de frente do combate ao coronavírus e sofrerão o impacto mais pesado da crise econômica. “As mulheres representam 70% da força de trabalho em saúde pelo mundo e fazem 75% do trabalho de cuidado não remunerado, atendendo a crianças, doentes e idosos. As mulheres também são maioria nos empregos mais precários”, diz a entidade.
“Os governos precisam aprender as lições da crise financeira de 2008, quando a ajuda a bancos e corporações foi paga pelas pessoas comuns. Elas perderam seus empregos, tiveram seus salários achatados e serviços essenciais, como os de saúde, sofreram profundos cortes de financiamento”, destaca Katia Maia. “Os pacotes econômicos de estímulo têm que apoiar trabalhadores e pequenos negócios. A ajuda a grandes corporações tem que estar condicionadas a ações para a construção de economias mais justas e sustentáveis”, completou".
O relatório completo, em inglês, está disponível no site da Oxfam.
Edição: Graça Adjuto

As consequências econômicas do coronavírus podem empurrar até 500 milhões de pessoas para a pobreza. O alerta consta de um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o custo financeiro e humano da pandemia.... 

Por causa da crise, diz a pesquisa, o nível de pobreza em países em desenvolvimento poderia voltar a um patamar de 30 anos atrás. Os pesquisadores usaram dados do Banco Mundial para medir os efeitos da redução dos gastos nas economias do mundo em três níveis de pobreza - U$ 1,90 (R$ 9,75), U$ 3,20 (R$ 16,40) e U$ 5,50 (R$ 28,18) por dia. As previsões pessimistas ocorrem uma semana antes de encontros do Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional (FMI) e ministros de finanças do G20 (grupo das 20 maiores economias do mundo). Redes de segurança O estudo foi escrito por especialistas da King's College London, no Reino Unido, e da Australian National University (ANU), na Austrália.

sexta-feira, 3 de abril de 2020



ÁGUA POTÁVEL, SANEAMENTO BÁSICO E HIGIENE

A importância da água para a vida, em especial para a dinâmica da vida humana em assentamentos e comunidades, é tão grande que no mês de julho do ano de 2010, a Assembleia Geral das Nações Unidas, por meio da Resolução 64/292, reconheceu que “o direito à água potável e ao saneamento básico é um direito humano essencial para o pleno desfrute da vida e de todos os direitos humanos”. Posteriormente, em ampliação dos debates no mês de dezembro do ano de 2015, a mesma Assembleia Geral das Nações Unidas edita a Resolução 70/169, a qual distingui os direitos humanos à água potável e ao saneamento, tornando-os independentes, mas não descorrelacionados, ao contrário, complementares.

“A água potável, o saneamento e a higiene em casa não devem ser um privilégio apenas daqueles que são ricos ou vivem em centros urbanos”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Esses são alguns dos requisitos mais básicos para a saúde humana e todos os países têm a responsabilidade de garantir que todos possam acessá-los”.
- 842 mil pessoas morrem anualmente pela precariedade de água, saneamento e higiene.
- Cerca de 3 em cada 10 pessoas em todo mundo, ou 2,1 bilhões de pessoas, não tem acesso a água potável e disponíveis em casa, e 6 em cada 10 pessoas, ou 4,5 bilhões de pessoas, não tem acesso a saneamento gerido de forma segura, de acordo com o relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e o UNICEF. Das 4,5 bilhões de pessoas que não possuem saneamento gerenciado de forma segura, 2,3 bilhões ainda não têm serviços básicos de saneamento. Isso inclui 600 milhões de pessoas que compartilham um banheiro ou latrina com outras famílias e 892 milhões de pessoas – principalmente em áreas rurais – que defecam ao ar livre. Devido ao crescimento populacional, a defecação ao ar livre está aumentando na África subsaariana e na Oceania.
“Se os países não conseguirem intensificar os esforços em saneamento básico, água potável e higiene, continuaremos a viver com doenças que deveriam ter sido há muito tempo deixadas nos livros de história, como diarreia, cólera, febre tifoide, hepatite A e doenças tropicais negligenciadas, incluindo tracoma e esquistossomose” (OMS).
Todos os anos 361 mil crianças com menos de 5 anos morrem devido a diarreia.
- 35 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada, mais de 100 milhões não têm coleta de esgoto e apenas 44,92% dos esgotos do país são tratados.(Instituto Trata Brasil). A falta de saneamento causa graves doenças, como diarreias, verminoses, hepatite A, leptospirose e esquistossomose. Por conta dessas doenças, foi gasto cerca de R$ 1,1 bilhão com internações entre 2010 e 2017 (R$ 140 milhões por ano) no Brasil..



quarta-feira, 1 de abril de 2020

Caridade

Tom Trajano: “se a gente não der as mãos, não sobra nada”

Para o psicólogo clínico e psicoterapeuta Tom Trajano, um contexto de crise tem três palavras-chaves. A primeira é a aceitação, com a qual os indivíduos encaram a realidade. A segunda é a resiliência, que permite a reinvenção, o aprimoramento. Isso traz a gratidão, a terceira palavra. Aquele que estiver aberto a ressignificar, vai agradecer quando tudo isso passar, porque isso vai passar”, diz ele sobre o momento atual, com o mundo imerso numa pandemia. 
Em nível universal, Tom avalia que a crise da covid-19 suscita solidariedade: as “pessoas que refletirem, amadurecerem vão ver que não há outro caminho que não seja a solidariedade”. Também proximidade: “a dor nos iguala muito, é um chamado pra nos sentirmos muito semelhantes”. Assim, acredita, a humanidade sairá melhor disso. 
De Brejo Santo, no sul do Ceará, onde realiza atendimentos online durante o período de isolamento, ele concedeu entrevista ao vivo ao O Otimista pelo Instagram, respondendo também a perguntas dos espectadores, compartilhando sabedoria. “Sabedoria é quando a gente pega as informações e coloca na prática para o nosso bem e o bem comum”, diz ele.
O Otimista – A primeira pergunta é aquela que muitos estão se fazendo, é possível manter a sanidade nesse momento?
Tom Trajano – É possível. Em verdade, quando tudo está bem, é fácil dizer que está bem. É muito fácil, mas também é muito enganoso. Nós sabemos como verdadeiramente estamos em nível de sanidade, nos momentos mais difíceis, mais desafiadores. É aí que nós vamos saber a nossa estrutura interna. Dificuldades fazem parte da vida. Problemas, para uns, é um grande empecilho, um álibi para se vitimizar e jogar a responsabilidade naquilo que é externo. Para outros, os problemas são oportunidades de crescimento. Crises são oportunidades de crescimento. Todos nós somos chamados, a nos conhecermos mais e nos melhorarmos no aspecto interno, ou no externo, onde somos chamamos a contribuir com a coletividade.
O Otimista – Você segue atendendo online nesses dias de isolamento. Quais as principais dores das pessoas agora?  
Tom Trajano – A demanda maior realmente está sendo a crise. Costumo dizer que existe um fato e a dimensão de um fato. Prazer e sofrimento estão mais relacionados com a dimensão do que com o fato em si. Um contexto como esse a gente caracteriza como de luto, porque perdemos, por exemplo, nosso direito de ir e vir. Esse perder vai afetar muito a subjetividade de cada pessoa e a estrutura de cada pessoa. Se ela é mais estruturada ou menos estruturada vai refletir em tamanha desorganização, muita ou pouca. Quando tem problema, dificuldade, é natural que possa vir tristeza, preocupação. Mas se preocupação e tristeza se tornam desorganização, isso é revelador de que a estrutura da pessoa já não estava boa antes mesmo. Ela simplesmente vivia no automatismo, até que vem a crise e dá uma sacudida. Isso é em nível micro e macro, de indivíduo, mas também de instituição, de nação. Se revê tudo. Tem muitas lições que se pode tirar de tudo isso, mas se focar só no medo, na perda, você fica na não aceitação e, não aceitando, você fica paralisado, sofrido.
O Otimista – Você fala de luto e chacoalhada. São esses os dois caminhos que temos agora?  
Tom – Existem três palavras-chaves nesse contexto. Primeiro, é a aceitação. Precisamos aceitar, que seja a realidade da pandemia com todos os cuidados que devemos ter, bem como o cuidado com o outro. Na medida em que você aceita, você acessa o universo da segunda palavra, que é a resiliência, onde nós somos chamados a nos reinventar, sair do automatismo, um certo transe, onde o corpo está num lugar, mas a cabeça está em outro, gerando um processo ansiogênico, adoecedor, que se agudiza. Quando a pessoa aceita e acessa a resiliência, ela experimenta a gratidão. Aí ela vai ver que ela pode ressignificar tempo, relacionamentos, escolhas. Aquele que estiver aberto a ressignificar vai agradecer quando tudo isso passar, porque isso vai passar. 
O Otimista – Então, ainda que o momento seja desafiador é preciso valorizá-lo? 
Tom – Esse contexto é pródigo no sentido de nos chamar a viver o nosso presente, a aceitar o contexto e otimizá-lo. algumas pessoas caem na ilusão de dizer assim: “se minha casa fosse maior, eu teria mais tranquilidade”. Não é isso que eu vejo. Eu tenho oportunidade de conviver com pessoas da classe A e da classe E e, tanto numa como na outra, encontro pessoas felizes e infelizes. Esse chamado de resiliência é no sentido de valorizar o que a gente tem. O maior desafio nem é esse. O maior desafio é a pessoa se encontrar consigo. 
O Otimista – Essa chacoalhada radical na realidade também traz ansiedade… 
Tom – Primeiro é importante que se diga: ansiedade é uma reação psicofísica natural do ser humano. O problema é quando a ansiedade cresce muito. Para a ansiedade crescer muito o vetor que, a meu ver, é mais significativo é medo, o medo quando ele cresce muito, ele joga a ansiedade lá nas alturas, quando ansiedade sobe muito, o humor cai. Isso faz com que a pessoa possa, sem perceber, ter uma visão mais negativa, fica mais irritável. Ela tende a atribuir aquilo à condição externa ou às pessoas que estão em volta. Uma pessoa que já cultivava muitos medos no dia a dia, num momento como esse, o medo externo ativa os medos internos, hiperdimensionando. 
O Otimista – Como lidar com isso? 
Tom – A pessoa precisa identificar as razões dos seus medos. É recomendável um processo terapêutico. Mas se, por qualquer motivo você não faz, a recomendação primeira é a vivência plena, tentar deixar a mente onde o corpo está. Assim, na hora que algo gerar incômodo, você vai identificar e tomar a atitude correta. Se a gente fica com quatro telas abertas no mundo mental, a ciência mostra que cérebro não dá conta, apenas a velocidade é tão intensa que ele muda de foco numa fração de segundo muito pequena, gerando um desgaste cerebral. Se você quer enfrentar a ansiedade, precisa acalmar a mente para acalmar o coração. 
O Otimista – A humanidade vive um contexto muito particular e algumas pessoas precisam tomar decisões muito difíceis, sobre família, negócios, sociedade. Como fazer isso de forma mais consciente e, talvez, menos dolorosa?
Tom – Como tudo que acontece na Terra, tem o lado sombrio e tem o lado luz. O grande desafio é a gente jogar luz na sombra. Nesse contexto, somos chamados a ficar reclusos, a ir ao nosso mundo interior, mas também, mais do que nunca, pela falta de parâmetro, a reconhecer que precisamos uns dos outros. Nem sempre a gente está numa condição emocional estável, que é quando a gente procura alguém para debater. Tem divergência, é claro, mas é melhor que elas venham à tona do que ficarmos isolados, com a bandeira do certo e do errado. Numa situação com essa, se a gente não der as mãos, não sobra nada. Nunca foi tão necessária a sabedoria. Como eu defino sabedoria: quando a gente pega as informações e colocaa na prática para o nosso bem e o bem comum.
O Otimista – A humanidade vai sair disso melhor? 
Tom – Acredito que sim. Existe dor, mas existe muita gente se colocando disponível para ajudar. Aquelas pessoas que refletirem, amadurecerem vão ver que não há outro caminho que não seja a solidariedade. A dor nos iguala muito, é um chamado pra nos sentirmos muito semelhantes. Se a gente parar para pensar isso dá um choque no orgulho que às vezes muitos de nós sentimos, de sermos mais importantes que os outros. Isso é o chamado para a desilusão, que gera tristeza, dificuldade de aceitar. Mas tem uma coisa muito boa da desilusão, ela nos tira da ilusão, nos traz para a realidade. Só na realidade a gente pode fazer diferença. Então chega de rótulo, rótulo distancia, não aproxima. Nós precisamos de proximidade. 
O Otimista – Como aproveitar o momento para se reconectar com a família? Ou até lidar com os atritos? 
Tom – Acredito muito que a gente não vive com as pessoas que vive por acaso, temos algo a ensiná-las e a aprender com elas. Só que o processo de aprendizagem leva tempo e a nossa emergência interna faz com que a gente se torne muito exigente. A gente tende a reagir, colocar defeito, exclui. Isso precisa mudar, somos nós que precisamos mudar. Isso é também um chamado de aprendizado, precisamos aceitar essa família, valorizar as coisas boas que cada um tem. É o que a gente chama de autorresponsabilidade: antes de atribuir ao outro o mal estar, pensa por que você está dando poder ao outro de te desorganizar. Para a gente viver em casa de forma mais construtiva, o chamado é para que a gente possa olhar as pessoas. Interaja com qualidade.
O Otimista – Temos visto algumas pessoas reclamando da pressão vinda das redes sociais durante o isolamento, de que é preciso ser produtivo nesse momento. Tem mesmo?  
Tom – Toda vida que nós ouvimos o tem que, isso gera uma reatividade, nosso psiquismo tende a nos colocar num estado de tensão. Cada pessoa está sendo chamada, a meu ver, a encontrar uma forma mais saudável de lidar com essa realidade. Os cuidados, físicos, emocional, mental e espiritual, são cabíveis a todo momento, independente de estarmos de quarenta ou não, mas o ritmo, a intensidade tem que ser proporcional ao jeito próprio de cada pessoa. Nem tudo aquilo que traz prazer traz paz. Saudável é aquele que consegue fazer escolhas juntando prazer e paz.
O Otimista – O quanto vale a pena se forçar um pouquinho a determinadas coisas, a fazer exercício por exemplo?
Tom – Uma criança não para de brincar para estudar. Tem que ser um adulto que chega lá para dizer que está na hora de parar. Do mesmo jeito, a nossa criança interna pode não querer fazer atividade física. Quando estamos funcionando neste modo infantil, a gente pode se ver tentado a ficar só no prazer, mas aí precisa vir o nosso adulto interno nos chamando. (Com exercícios) nós geramos neurotransmissores, que nos dão um melhor estado de espírito, em nível endocrino, e condição de fazer as outras cosias. Tem dias que vale a pena forçar, mas com consciência, não como um custo, mas como um investimento.
Quero deixar uma mensagem antes de encerrar. Esse é momento de a gente mergulhar na nossa interioridade, quando a gente valoriza a gratidão, tudo aquilo que a gente vive, a gente acessa a abundância divina, sem perceber, vai ficando tudo mais fácil, as coisas acontece, então exercite a gratidão e a abundância, ajude aqueles que você possa ajudar de qualquer quer seja a forma. Faça a sua parte, nós podemos fazer um mundo melhor. Tem uma história que é muito legal, que é a dos porcos espinhos. Dizem que na era glacial os porcos espinhos, devido ao gelo, ficavam todos juntinhos para se proteger do frio. Mas como sempre acontece alguém muito sabido disse “ah, não dá certo não essa história de a gente ficar tudo junto porque a gente fica se espetando, acaba se ferindo e, em alguns a ferida é muito grande e morrem”. E se isolaram. Só que a medida em que se afastaram foram morrendo muito mais por causa da falta do calor que um passava para o outro. Enato vamos aprender com os porcos espinhos, por mais que haja as espertadas, estar juntos aí é uma oportunidade de não só sobreviver, mas viver com mais qualidade.